sexta-feira, 29 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
DUALIDADE
"A pedra que edifica é a mesma que faz sangrar...depende de quem a maneja."
Pensamento:Dualidade, Recife, 03/05/12
O CAPITALISMO DE MAX WEBER
A Igreja católica dos séculos XV e XVI
Martinho Lutero – apologista: a Igreja provedora das necessidades espirituais
Calvino e sua doutrina capitalista
INTRODUÇÃO
A obra mais importante de Max Weber, escolhida e listada, entre os cem melhores livros de não - ficção ou ensaios do século, intitulada: “A Ética e o Espírito do Capitalismo,” foi publicada em 1904, século XX. Essa obra trata de um movimento religioso – o protestantismo – que teve por precursor, Martinho Lutero. Weber após exaustivos estudos conclui que, há vínculos de extrema relevância entre o protestantismo e o capitalismo. Contrariando a convicção de Weber concernente a visão protestante – de forma abrangente, subtendemos que o precursor do luterismo, antes de tudo, foi um apologista da fé genuína, cujo objetivo maior, centraliza – em todas as eras – a salvação da alma, deixando-nos o exemplo em forma de ação. O seu objetivo: o exercício do maior de todos os mandamentos – o amor – demonstrado através do seu zelo e luta pela assistência espiritual aos fiéis, contrariamente ao acúmulo de riquezas. Em contra senso, o calvinismo através de sua doutrina, de forma peculiar – eleição –, dá-nos mostra de haver uma conotação entre o conceito capitalista, segundo Weber, e o protestantismo de Calvino.
A IGREJA DA IDADE MÉDIA
Durante a Idade Média a Igreja Católica era reconhecida como única autoridade espiritual existente, não havendo salvação da alma fora dela. Ao longo dos anos, a Igreja concentrou poder, não apenas espiritual, mas material e político. Os seus altos mandatários estavam mais preocupados em exercer esse poder e em aumentar os seus domínios, do que se preocupar com as necessidades espirituais do seu povo. Os papas viviam em conflito com os imperadores, todos desejosos de obter mais poder político e econômico.
A situação se agravou no final da Idade Média, quando uma série de acontecimentos catastróficos – guerras, fome e peste – conduziram a população a total desesperança. Na Europa do século XVI, havia a necessidade de se encontrar apoio, em qualquer coisa, parecia que o mundo estava prestes a se acabar.
A venda de indulgências promovida pela Igreja Católica acalmou a situação. Entretanto, isso se revelou uma prática vergonhosa. Além disso, se comercializava qualquer objeto, com suposto valor religioso – troca pela salvação da alma.
Destarte, o Império Alemão se encontrava descentralizado, dominado por inúmeros príncipes e com grande parte de seu território pertencente à Igreja.
O membro da Igreja Católica de Roma – Martinho Lutero – preocupado e inconformado com o vil comércio das coisas espirituais; angustiado com a própria salvação, iniciou o conflito que dividiu a unidade cristã que prevalecera por toda a Idade Média – A Reforma, da qual originou-se o protestantismo.
Quatrocentos anos após, surge o conceito de capitalismo – segundo Max Weber:
(...) chamaremos de ação econômica “capitalista” aquela que se basear na expectativa de lucro através da
utilização das oportunidades de troca, isto é, nas possibilidades pacíficas de lucro. Em última análise, a apropriação do lucro segue os seus preceitos específicos, e, não convém colocá-la na mesma categoria da ação orientada para a possibilidade de benefício na troca. Onde a apropriação capitalista é racionalmente efetuada, a ação correspondente é racionalmente calculada em termos de capital.
A MOLA PROPULSORA DO ENSAIO HISTÓRICO – SOCIOLÓGICO DE WEBER
A percepção de Weber concernente ao fato de haver uma significativa diferença concernente a filiação religiosa e a estratificação social, entre os filhos de cristãos católicos, face aos filhos dos protestantes, o inclinou à pesquisa.
As transformações sociais e econômicas que aconteceram no cenário europeu, nos séculos XVII e XVIII, motivaram, impulsionaram Max Weber a pesquisar a relevância do notório desenvolvimento intelectual e capitalista da Alemanha que diferia do restante da Europa. Países como França e Itália vivia a revolução industrial, ao passo que, a Alemanha permanecia monárquica e agrária.
Weber aplicou a sua pesquisa a uma determinada região – vale de Ruhr. Constatou que, os filhos dos católicos se inclinavam à escolha de carreiras humanísticas; enquanto que os protestantes se dedicavam às carreiras técnicas. Consequentemente, os protestantes, se sobressaiam nas indústrias; direção empresarial e na tecnologia de alto nível. A constatação dos fatos, o levou às reflexões sobre a sociologia da religião, chegando a concluir que, alguns seguimentos religiosos, por sua fé e ética, contribuíram para a formação do espírito impulsionador da economia ocidental moderna, ou seja, do rigor moral existente nos dogmas calvinistas, surgiu o embrião do capitalismo: vocação - trabalho como religião -, visão ascética monástica capitalista.
FATORES QUE IMPULSIONARAM O CAPITALISMO RESPALDADOS NOS DOGMAS CALVINISTAS
Weber atribui à doutrina da predestinação – peculiar aos calvinistas –, o individualismo na busca do poderio econômico, vez que não havia salvação, sem que houvesse vocação. E, essa, direcionada unicamente ao trabalho como que religião. O fiel, não obteria a salvação sem que fizesse a sua parte, de forma exaustiva – demonstração de total vocação - caminho para a salvação. Esse, não esperava obter o favor de Deus através da Igreja, como mediadora - a salvação seria alcançada individualmente, através do esforço próprio, pela vocação - trabalho.
Destarte, não havendo mediadores entre esses e Deus - meios externos de se obter a salvação – e, buscando-a desesperadamente, tornou-se imprescindível a identificação própria, através dos requisitos necessários, para os escolhidos – eleição. O exercício dessa vocação garantiria a própria salvação – segundo os estudos de Weber –, o êxito profissional, seria distinção na identificação da própria eleição.
Faz-se necessário salientar que, trabalho gera riqueza, e assim, sucessivamente - ascensão econômica.
Para esses seguidores o que objetivava a riqueza, era o dever de estabelecer o Reino de Deus na terra, visando a glória de Deus. O dinheiro não seria empregado em coisas fúteis, tipo: diversão, o seu objetivo seria gerar capital: “riqueza gera riqueza – doutrina da avareza.” Segundo o entendimento de Weber, o dogma central do protestantismo, a salvação, não se encontra na superação moral ascética monástica – no isolamento ou afastamento do mundo em busca de santificação – mas no dever secular, imposição do mundo – o homem vale pelo que produz; por sua posição social – visão capitalista. Acaso, não foi essa a visão da Igreja da Idade Média? A busca pelo acúmulo de bens materiais em detrimento da assistência espiritual?
(...) vocação, nenhuma obra tão ignóbil e vil haverá de ser que diante de Deus não resplandeças e sejas
tida por valiosíssima.
A DESCOBERTA DE WEBER DE ENCONTRO AO EVANGELHO
Weber entendeu que todos os ramos religiosos protestantes, seguiam um dogma central – vocação – e, que esse dogma, era tipo: “a vocação profissional conduz à salvação” – entendimento antagônico ao evangelho segundo Jesus Cristo – explicitando os dons ministeriais:
( Ef 4:1) Rogo-vos, pois, eu, apóstolo de Jesus Cristo, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados.
(Ef 4:2) Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor.
(Ef 4:3) Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
(Ef 4:4) Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação.
(Ef 4:11) E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
(Ef 4:12) Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo;
(Bíblia Sagrada)
O espírito do capitalismo segundo Weber, deve ser entendido como uma ética de vida – a dedicação ao trabalho e a metodologia de se adquirir riquezas, de forma incansável, contínua, como um dever moral. A riqueza, não deve ser usada em esbanjamento, mas para gerar mais riquezas.
É relevante lembrarmos algumas máximas de Benjamim Franklin: (...) “Tempo é dinheiro;” “dinheiro gera mais dinheiro;” “O bom pagador é dono da bolsa alheia.”
A ênfase de que a glória de Deus resplandeceria através da ascensão profissional dos seus eleitos, lançava-os ao trabalho, dessa forma tinham a confirmação do chamado ao Reino de Deus e mais ainda, desejavam ver esse Reino estabelecido - a exaltação a Deus estaria em um povo próspero e justo, em todas às áreas.
Texto Teológico: O Capitalismo de Max Weber. 10/03/11
QUESTÃO DE VISÃO
Naquela manhã fria e chuvosa sentei confortavelmente em minha poltrona, liguei a TV, procurei um bom filme – quase sempre acerto guiada pelo título –, achei!
Em certo momento, um dos personagens bradou: “Amigo, como diz a maldita frase de Platão: “A guerra só acabou para os mortos!”
Pasmei! Maldita frase, por quê?
O que levou aquele homem a transformar uma frase sábia em maldição?
Não há dúvida de que a boca fala do que o coração está cheio. As nossas ações originam-se do nosso estado de espírito. Para tudo há uma razão. Imprescindível é tentarmos conseguir alcançar, compreender, discernir, o que se passa no íntimo de cada ser – quer na vida e/ou ficção – ; considerarmos a origem de suas reações.
Penso que Platão desejou fortemente despertar os dormentes; chamar à vida, os mortos que ainda não perceberam a apatia espiritual que lhes acomete momentaneamente.
A vida é uma eterna batalha. Como que um soldado ferido, jamais deveremos largar às nossas armas, menos ainda parar. Pois, o soldado que para, por sentir as dores dos ferimentos, fica para trás.. Morre!
Meditando no raciocínio daquele personagem cinematográfico, voltei a indagar: O que o fez transformar a sábia frase de Platão em maldição? Qual a causa?
A complexidade existente nos sentires do ser humano o leva a dar o que tem e a receber, entender com o coração que tem.
Tudo isso, implica em vários fatores: estruturação familiar; formação educacional, social, psicológica, etc.
Lembremos sempre do poder existente nas palavras, tanto quanto na escrita. Existe em ambas uma dualidade. O poder de transmitir vida, ou morte.
Por mais que desejemos dar o nosso melhor haverá sempre quem o queira transformar no pior.
Meditemos em situações iguais a essa que, surgem do quase nada; nas consequências oriundas da interpretação textual – tão peculiar a cada leitor.
Lembremos do escritor alemão Johann Wofgang Von Goethe, 1749-1832, que de forma inconsciente levou ao suicídio, muitos leitores da obra de sua autoria, e, que o conduziu a fama – "o caso Werther," que a igreja católica colocou no Índice dos Livros Proibidos.
(...) "Onde eu me sentia liberto e aliviado, porque havia transformado a realidade em poesia, meus amigos se enganaram, acreditando que se devia transformar a poesia em realidade.
(Johann Wofgang Von Goethe)
Questão de entendimento interpretativo.
EstherRogessi;Crônica:QUESTÃO DE VISÃO; Recife, 07/10/11.
”Quando descobri o que sou para Deus, a opinião da oposição a meu respeito, perdeu o efeito; quando me conscientizei do que Deus é para mim, dispensei intermediários...”
CÉSAR VALLEJO – O POETA
O sofrer por não ter; a diferença social – em todas às eras vejo como que, agressão física e moral –, se fez presente no cotidiano de César Vallejo.
O almejar instrução acadêmica; a frustração por não alcançá-la da forma desejada, por falta de finanças, o fez crescer no sofrer.
A profundidade dos seus poemas – década de 30, os classificou por poemas humanos, a dor encontrando na solidariedade o antídoto para o sofrimento.
Magnânimo poetar; chagas abertas; sangue jorrando em forma de letras; originalidade em suas estruturações poéticas – estilo Vallejo.
Disse o pensador Thomas Merton a respeito do seu poetar: “Vallejo é o mais importante poeta universal depois de Dante.”
Não importa a classificação, a divisão do seu poetar. Se pré-moderna , moderna (ou vanguardista) e/ou pós-moderna. Importa os sentires oriundos de sua alma poética que tornou a sua obra imortal e fez com que, o não menos imortal, Pablo Neruda, o admirasse a ponto de falar ser Vallejo melhor poeta que ele.
EstherRogessi;Crônica: César Vallejo o Poeta, 04/10/11
O OUTRO LADO DA ALEGRIA
Manhã especial - 12 de outubro.
Sentei-me à mesa para o café da manhã. Liguei a TV, que transmitia um noticiário sobre as festividades do dia dedicado às crianças – o ser mais sensível, delicado e ávido pela vida.
O doce palhaço era o entrevistado naquela manhã. Estava preparado para gerir sorrisos nos rostinhos inocentes, e gritos eufóricos.
Alguns deles, não tomaram o café da manhã, não por estarem ansiosos pelas brincadeiras e presentes, mas, pela falta do alimento diário.
A notícia de que o doce palhaço estaria alegrando à todos, levou-as a esquecer a fome, a desejar sorrir no seu dia – presente do céu.
Crianças de todas às idades – as que estão aprendendo e as que estão esquecendo o que aprenderam – logo mais lotariam o Parque Dona Lindu - Boa Viagem / Recife-PE.
Enquanto acontecia a entrevista, o repórter observou uma menininha que fora a primeira a chegar, semblante tímido, prestando atenção à entrevista.
Olhei-a, profundamente. Minha alma se constrangeu. Indescritível sentir fluiu do meu ser. Clamei por sua vida, abençoando-a... Ela recebeu o melhor presente que poderia ter recebido no seu dia: a oração tem poder e a benção é maior que a maldição.
EstherRogessi;Crônica:O OUTRO LADO DA ALEGRIA; Recife,13 /10 / 11 .
terça-feira, 5 de junho de 2012
SOLIDÃO & LOUCURA
Na minha solidão as sombras são bem-vindas
Risos, gargalhadas infindas... ecos, acompanhar solitário
na loucura que é minha vida.
Neles encontro alento.
Alegria!
Surge o dia... Brilha o sol, meu brilho brilha...
Não estou só!
EstherRogessi. Poesia Loucura:SOLIDÃO & LOUCURA
Recife,14/05/09
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