sexta-feira, 17 de agosto de 2012



NO FUNDO DO POÇO
       

          Aos vinte e seis dias do mês de dezembro, do ano 2005; logo após o natal ouvi um noticiário que enfatizava um incidente com uma criança - ao caminhar em  meio ao mato, a mesma, fez  um atalho, no intuito de chegar ao local onde  o seu pai estava, vindo a cair em um poço. O garoto não teve como se desviar do inesperado. Ficou no fundo do poço – solitário,  amedrontado e desesperado.
         Só Deus sabia onde ele estava.
Quanta procura, desespero  e, angústia nos corações dos que o amavam e até mesmo de alguns que se comoveram com a situação desesperadora.
Vieram os bombeiros. Esforçaram-se na tentativa de encontrá-lo; busca vã. Por fim, desistiram... Encerrando à busca.
 Alguém não desistiu. Como por milagre, enquanto gritava o nome do filho, o pai aflito o ouviu responder, com um fio de voz, do fundo do poço. Ali, se encontrava a motivação de sua vida –  do fundo do poço emanava o fim de sua angústia; a valorização das coisas simples, que o Senhor nos concede,  e que não conseguimos enxergar simplesmente, por tê-las sempre ao nosso alcance. 
Àquele pai gritou: – É você, Pedrinho? – Sim, pai...  tire-me daqui! Estou com medo... com sede e fome.
       O poço era muito profundo. Media a altura de um prédio de quatro andares. Pedrinho não sofreu nenhuma fratura, apenas, estava desidratado; um verdadeiro milagre!
    
Quantos se encontram no fundo do poço...
Sem esperança;  desnutridos e desprovidos de fé. Com  amarras invisíveis, esperando a hora do último suspiro.
São presas, acuadas pelas circunstâncias causadas pelos atalhos que fizeram em suas vidas; em busca de soluções que, como tais, julgamos  acontecer no nosso tempo,  de acordo com nosso querer, a nossa vontade.
   
Há na música popular brasileira, uma letra que diz: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

A Palavra de Deus, porém, diz para não andarmos ansiosos por coisa alguma (Mt 6.25 ); ( Ec 3.1) Há um tempo determinado  para todo propósito  embaixo dos céus.
     
Quantas  advertências recebemos ao longo das nossas vidas, sobre o perigo dos nossos passos; das  ações que nos levariam ao fundo do poço; no entanto, as ignoramos.
No fundo do poço, não encontramos espaço, oportunidade, para agir e interagir. É uma situação em que passamos só. Onde só Deus,  certamente estará conosco. Ele tem que ser o nosso equilíbrio; o centro, a meta.  Obviamente, só Ele, poderá nos livrar  de tal situação. Por mais força física que possamos ter, o poço é por demais profundo.
Humanamente falando é  impossível a  saída.
     Momento de reflexão: O garoto gritou: Pai me tira daqui...!
No Evangelho segundo São Mateus há uma passagem que diz:  “Qual o pai que vendo seu filho lhe pedir pão, lhe  dará uma pedra?  E, pedindo- lhe peixe, lhe  dará uma serpente ?
     Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, deixará de dar bens aos que lhe pedirem?  ( Mt 7. 9-11 )
     
O pai do garoto correu para livrá-lo dos seus medos. Queria, ansiosamente, acariciá-lo; constatar, se o menino estava bem.
      Pensei: Pai... Creio que  És Deus e não carrasco, porque   tantos estão no fundo do poço, clamando por Ti, porém, continuam sem saída?
      Respondeu-me o Senhor: “Estou mostrando a corda, a saída, porém, muitos não a enxergam, ou não desejam enxergar.”
      A corda é algo que Deus  quer de cada um de nós. E o que Ele deseja que façamos para agradá-LO é quase sempre  tão ínfimo...  Porém, como nos custa dobrarmo-nos à execução desse querer divino.
Costumo dizer que, tudo deve ser como Deus quer, ou,   nada prosperará!
Deus não se molda a  homens; temos que nos moldar  a  Ele.
Clamamos, clamamos... A corda, a saída  está à nossa frente,  que possamos enxergar e dar o primeiro passo. É preciso tomar uma atitude, não façamos com que o fundo do poço torne-se mais fundo. 
Que possamos, a tempo, agir!
                                                         


 Respeite o direito autoral Lei 9.610/68
"O artista cria não se apropria!"
(EstherRogessi)
Texto IMPFAV / No Fundo do Poço.

MISSÕES É PRECISO!

Bpª Rogessi de A. Mendes

Presidenta da UNIÃO FEMININA ESTADUAL 
CONIEIB/PE




sábado, 4 de agosto de 2012

UMA PEQUENA NUVEM COMO A MÃO DE UM HOMEM



(I Re 18.44)

Elias enviou o seu moço à montanha para  constatar se havia prenúncio de chuva; o céu permanecia claro - a promessa foi de chuva sobre a terra -, porém, o homem de Deus perseverou e por sete vezes buscou o sinal de chuva, tendo êxito na última vez. As promessas de Deus são verdadeiras, jamais falham... Ela se fez presente  e abundante.
Assim, é na minha e na tua vida, na difícil caminhada através do deserto; chão rachado pelo sol escaldante; corpo desidratado pela falta do precioso líquido  –  água – transformado em suor pela alta temperatura momentânea – lutas advindas de situações outras –; não percamos a esperança de vivermos as promessas de quem é fiel para cumpri-las ( Ele não falha), acontecerá! 

Bispa Rogessi de A. Mendes (EstherRogessi)
IMPFAV/CONIEIB

Fé e Perseverança - Textos religiosos - Poemas e Frases - Luso-Poemas

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Conversa Com Adélia



Cover / Dona Doida 
(Adélia Prado)

A mente humana lembra do que não quer, nem se planeja.

São flashes em velocidade luz.

Lembranças... Eis, que em mim estão!

De um passado bem passado
... quando criança, nos meus primeiros anos.

Não lembro da chuva, tal qual, chove agora,
nem dos seus pingos, n’uma  poça d’água... Adélia.

Lembro de um caderno, página arrancada,
para ‘dar vida’ a um barquinho,

que vi correr após a chuva, rente ao meio-fio da calçada...

De minha mãe... com certeza lembro!
E, convicta falo: chuchu novinho, angu,

molho de ovos, rosas, amores,
flores, cravos...não lhe inspiraram.

Quem sabe nisso também temos afins?

Fugas, reencontros, desencontros...
E, uma loucura... Onde os loucos de pedra
são os que se julgam sãos.

Lembro da lua... eu, correndo de cara prá cima
n’uma vã tentativa de fugir dela.

Coisa de doida... Adélia!

Dona Doida

Por Adélia Prado

Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso

com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.

Quando se pôde abrir as janelas,

as poças tremiam com os últimos pingos.

Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,

decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.

Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,

trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.

A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,

com sombrinha infantil e coxas à mostra.

Meus filhos me repudiaram envergonhados,

meu marido ficou triste até a morte,

eu fiquei doida no encalço.

Só melhoro quando chove.

O texto acima foi extraído do livro "Poesia Reunida",
Editora Siciliano - 1991, São Paulo, página 108.
Adélia Prado


EstherRogessi,Conversa Com Adélia (Inspirado no poema ‘Dona Doida’ de Amélia Prado).29/01/10.

O Prado de Adélia



No fértil prado de Adélia verde  grama encontrei.
Nele me encontro é o meu prazer diário...
Concisa do existir d’uma Amélia de verdade
diz o compositor, que por amar, se anulou.
O ‘controverso’ desse verso encontrei
No prado de Adélia Prado.
Em prados de grama seca, vi o anti-social
O viver, vida anormal, em favelas e no gueto
Barracos por eles feitos  -prática do diário-,
jornais, plásticos, paus... fogo  aceso com gravetos.
Lembro d'Adélia artista, estruturação realista
na Briga... em outro beco.


BRIGA NO BECO
Adélia Prado

Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mãos e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior,
fêmeo-ofendida, uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo
[ graças.
Desde então faço milagres.

De Bagagem (1976)
Adélia Prado. Poesia Reunida. Ed. Siciliano, 10a. ed., São Paulo, 2001


EstherRogessi, O Prado de Adélia, Inspirado no Poema BRIGA NO BECO ( Adélia Prado). 28/01/10

PRESENTE AUSÊNCIA





















Fujo de ti, mergulho em trabalho,
nesse mar busco esquecer-te...
Surges do profundo  -animal marinho.
Deleito-me que venhas a mim:
Sem autorização; sem marcar audiência.
Fugir não resolve  és presente em tua ausência.
Ó doce ingrediente de minha essência...
És como  o suor,  lágrimas, riso e a dor,
que ... surgem assim: sem hora marcada!
Por que teimas, em mim, fazer morada?

EstherRogessi, Prosa:PRESENTE AUSÊNCIA, 
24/02/10