segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Prado de Adélia



No fértil prado de Adélia verde  grama encontrei.
Nele me encontro é o meu prazer diário...
Concisa do existir d’uma Amélia de verdade
diz o compositor, que por amar, se anulou.
O ‘controverso’ desse verso encontrei
No prado de Adélia Prado.
Em prados de grama seca, vi o anti-social
O viver, vida anormal, em favelas e no gueto
Barracos por eles feitos  -prática do diário-,
jornais, plásticos, paus... fogo  aceso com gravetos.
Lembro d'Adélia artista, estruturação realista
na Briga... em outro beco.


BRIGA NO BECO
Adélia Prado

Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mãos e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior,
fêmeo-ofendida, uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo
[ graças.
Desde então faço milagres.

De Bagagem (1976)
Adélia Prado. Poesia Reunida. Ed. Siciliano, 10a. ed., São Paulo, 2001


EstherRogessi, O Prado de Adélia, Inspirado no Poema BRIGA NO BECO ( Adélia Prado). 28/01/10

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